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Denise.

Era uma quarta-feira comum de outono. Acordei com preguiça. Tentei listar os afazeres do dia - nada em particular. Tomei os meus remédios, troquei o pijama. Meu marido havia saído antes que eu despertasse e meu cachorro aparentemente tinha dormido fora do quarto. Desci para buscá-lo, e no meio das escadas escutei o barulho da porta da frente abrindo. Entrou uma mulher cabisbaixa, com uma vassoura nas mãos, e sem me olhar começou a varrer o teto da sala. Não havia sinal do meu cachorro. A mulher varria o teto com tamanha naturalidade que por um momento pensei ter sido contratada pelo meu marido, e que talvez ele tivesse esquecido de me informar. Seus cabelos escuros pareciam sujos, como se não lavados há semanas. Usava roupas acinzentadas em um número muito maior que o dela. Era esguia e tinha a postura curvada. Não saberia estimar uma idade. De longe, observei que tinha os cantos da boca levemente levantados, como se achasse graça em algo. Pareceu disfarçar quanto sentiu meu olhar. Tom...